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quarta-feira, maio 18, 2016

A relação entre Igreja e Estado -- Uma visão Reformada


Os Estados Unidos foram fundados sobre o princípio de que tanto o Estado quanto a Igreja estavam sob o Governo de Deus. O ponto principal está no fato de que os EUA não adotou uma Igreja Estabelecida, ou seja, a Independência da Igreja em relação ao Estado, e vice e versa, é assegurada pela Constituição como forma de garantir as liberdades individuais dos cidadãos, sejam eles cristãos ou não. -- Com base na História que apresenta perseguições sangrentas da parte do Estado com o objetivo de impor um credo específico, consequência de uma Igreja Estabelecida, ou seja, de uma Igreja que se confunde com o Estado, a nação americana baseia seus fundamentos na liberdade e tolerância religiosa. O ''não estabelecimentarianismo" acaba sendo um propulsor de uma das principais bases do conservadorismo, que implica na liberdade individual.

A crença de que é possível que sejamos bons ou maus, justifica o fato de que o poder absoluto não deve ser dado a ninguém, pois, todos nós temos potencial de causar grandes danos e males uns aos outros. Por isso, para o conservador, a liberdade é defendida como necessária. Nós brasileiros temos uma cultura com forte tendência a uma devoção pelo Estado, ao ponto de esperar seu apadrinhamento, tanto norteador como uma espécie de dependência de absolvição papal. É como se esperássemos do Estado a definição de pecado, assim como a graça do perdão. Nossa gente não consegue desvincular o peso religioso que a História depositou no Estado. Também, por isso ainda hoje, é tão difícil para a maioria dos brasileiros compreender um conservadorismo isento de ritos religiosos. -- A nossa grande tendência em eleger líderes que se apresentam como a "personificação do bem", ignorando o seu potencial também para o mal, pode ser fruto de uma cultura que não sabe qual é a função do Estado, porque nunca aprendeu a diferenciar Igreja de Estado. É por isso que aqui nascem tantos ''salvadores da pátria'', e ídolos políticos passam a exercer através do Estado, o papel de um deus.

Um dos motivos que me fizeram não apenas seguir, mas também admirar a cosmovisão reformada está no fato de que ela reconhece o conceito bíblico de autoridade hierárquico. No topo da hierarquia está Deus, toda autoridade está Nele, qualquer autoridade que eu (ou qualquer ser humano) tenha, em alguma área da vida, é autoridade derivada, delegada, designada. Não é intrínseca, é extrínseca. É dada por Aquele que possui autoridade inerente. Dentro desta estrutura hierárquica, Deus, o Pai, dá toda autoridade no céu e na terra a Cristo, Seu Filho. (Mat.28:18) -- Deus entronizou a Cristo como Rei dos reis. Portanto, se Cristo é o primeiro-ministro do universo, isso significa que todos os reis deste mundo têm um Rei que reina sobre eles, e que todos os senhores terrenos têm um Senhor superior a quem eles devem prestar contas.

Crer que toda autoridade é sujeita a Deus, é compreender que seja a Igreja, ou o Estado, ambos estão sob o Governo divino, pois são ordenados por Ele. Nesse contexto cabe ao Estado proteger, dar segurança aos indivíduos e aos seus bens, seria o mesmo que promover justiça e punir o mal. Enquanto a Igreja é chamada a ser um crítico do Estado, quando este falha em obedecer ao seu mandato debaixo da autoridade de Deus.

Na cultura contemporânea, a separação entre Estado e Igreja chegou a significar que o governo governa sem levar a Deus em consideração, o que constitucionalmente nos EUA, a idéia não se sustenta. Tanto lá, como também aqui, um Estado laico, não significa um Estado ateu.

É certo que o Mayflower, do século XVII, era estritamente cristão, mas não a Constituição ou a Declaração de Independência. Houve cristãos, e não cristãos envolvidos, porém o texto é claramente teísta, ou seja, como dito inicialmente, os Estados Unidos foram fundados sobre o princípio de que tanto o Estado quanto a Igreja estavam sob o Governo de Deus. No livrinho do Reverendo Dr. R.C. Sproul: "Qual a relação entre Igreja e Estado?", fica claro que a base da cultura americana está diretamente ligada a uma cosmovisão reformada, embora, claro, como já destacado, os EUA tenha sido fundado por cristãos e não cristãos. Mas, ao compreender a cosmovisão reformada, fica nítido sua direta influencia na cultura da nação americana, e o porque do Bible Belt (Cinturão Bíblico da América), ser, até hoje, o alicerce conservador do país. Pra quem não sabe o que significa Bible Belt, resumidamente, é uma composição de Estados Americanos que oriunda das fundações coloniais do protestantismo; a origem de seu nome deriva da grande importância da Bíblia entre os protestantes. -- Estados que maior parte do seu território se encontram dentro do Cinturão Bíblico: Virginia, Texas, Missouri, Oklahoma e Louisiana.

Ps: Nos EUA vemos puritanos chegando com intenção de que a vida na nova terra seria ler a Bíblia, orar e trabalhar, nutriam um sonho de construir uma nova pátria, onde tivessem liberdade de culto. Na cosmovisão reformada por exemplo, a maneira com que a religião calvinista valorizava o trabalho, a poupança, o lucro e a usura, influencia diretamente na forma com que o indivíduo entende a função do Estado de proteger, dar segurança aos indivíduos e aos seus bens. Isso influenciou também, o livre comércio. 
•°o.O Postado por Cris Corrêa O.o°•

quinta-feira, novembro 26, 2015

Megalomania - Superficialidade cristã - A Retórica política e a Onda de Alter Ego Virtual


"Portanto, irmãos, esforçai-vos com dedicação cada vez maior, confirmando o chamado e a eleição com que fostes contemplados, pois se agirdes desse modo, jamais abandonareis a fé." II Pedro 1:10 

Já vi de tudo no meio cristão brasileiro. Mas nada foi tão assustador, e chato até agora, do que essa onda de alter ego virtual, os "pseudointelectuais cristãos políticos".

Há uma neura acompanhada de pedantismo facebookiano que está dando "gold status" a retórica política no meio cristão. Temos uma onda de críticos da pregação do Evangelho que não carrega retórica política. É como se fosse obsoleto o simples anunciar do Reino dos céus, diante da necessidade de falar dos reinos da terra. Já vi inclusive reverendos de peso sendo menosprezados por, segundo os críticos, não carregarem muitos vídeos no youtube de sermões de cunho político. Há aventureiros até abandonando a fé por acreditarem que há mais consciência política em outros lugares.

Existe a necessidade do meio cristão fazer exposição crítica referente a política? Claro! Aliás, como sempre venho falando aqui, não apenas a Igreja deve funcionar como crítica do Estado, mas principalmente ela deve apresentar uma cosmovisão teo-referente aos seus membros, sobretudo, porque o cristão está no mundo (embora o mesmo não seja dele). A Escritura fala que o cristão é tanto o sal, como a luz da terra. (Mateus 5:13-16)

A ''boa nova'' de Cristo traz conceitos transformadores que mudam o homem em todos os âmbitos de sua vida, e isso obviamente não exclui suas responsabilidades civis. O próprio conceito de ''mordomo de Deus'', implica em cuidar com zelo e fidelidade dos bens do seu Senhor, ou seja, o Senhor da Criação nos confiou tarefas a serem administradas, sejam elas sociais, familiares, econômicas ou mesmo políticas, é dever do cristão administrar tudo da melhor forma, caso contrário torna-se infiel. Portanto, o senso do sagrado, o senso de responsabilidade e de profunda dependência de Deus, devem acompanhar o cristão. 

A questão é: a mera retórica política cristã é eficaz? Não. Principalmente se ela não passar de alguns posts no facebook. É apenas "palava solta", como meu próprio post por exemplo. A função do mordomo de Deus implica em uma dedicação bem mais significativa e eficiente, longe de toda megalomania, que no fundo denuncia a superficialidade de uma vida cristã dissimulada.

Há um ideal político cristão? Sim. -- Mas, diante da sua realidade sócio-politica, o ideal político cristão pode existir? Se sim. Como você pode contribuir de forma prática para que ele funcione? Se você não é capaz de lidar de forma prática com essa realidade, seu ideal político cristão não passará de utopia. E, aquele simples irmãozinho alienado que dobra os joelhos todas as noites e ora com fé para que Deus abençoe as autoridades ordenadas por Ele, é politicamente menos neutro do que você, que de peito estufado mantém um caso de amor com a própria consciência. 

Até parece que ultimamente ser cristão é o mesmo que ser contra o marxismo cultural, se identificar como "conservador de direita", demonizar os muçulmanos e ver meia dúzia de vídeos com palestras no youtube. É claro que é bom (e necessário), você estar atento a realidade que te cerca, o cristão precisa rejeitar tudo aquilo que não condiz com a Verdade que ele crê. Óbvio! Mas estão construindo um bezerro de ouro chamado "posicionamento político". E claro, a retórica política no facebook, inclusive a de cunho cristão, tem sido a reza com que o adoram. Só que ser cristão não é bem isso, jovem... Eis o motivo de Cristo ter se feito Servo humilde neste mundo. Você precisa servir: ''combater o bom combate, completar a corrida, perseverar na fé!" (II Timóteo 4:7).


•°o.O Postado por Cris Corrêa O.o°•
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